No dia 23 de setembro de 2026, o Google Ads anunciou duas mudanças no AI Max: a expansão do AI Brief para mais idiomas, incluindo o português, e uma nova funcionalidade de relatório que mostra, em uma única tela, a jornada completa de um anúncio de pesquisa — do termo de busca que disparou o anúncio até o criativo exibido e a página de destino acessada. Um dia depois, em 24 de setembro, o Google divulgou o Business Agent for YouTube Ads, um agente conversacional que permite ao espectador tirar dúvidas sobre produtos e marcas sem sair do vídeo. As duas novidades, confirmadas nos canais oficiais do Google Ads, sinalizam que a IA generativa deixou de ser recurso isolado de otimização de lance e passou a atuar na criação, no atendimento dentro do anúncio e na explicação do próprio desempenho da campanha.

Para empresas brasileiras que dependem de Google Ads como principal canal de aquisição, essas mudanças não são cosméticas. Elas alteram o nível de controle que o anunciante tem sobre a mensagem que a IA gera, o tipo de pergunta que um cliente pode fazer dentro do próprio anúncio em vídeo e a granularidade de dados disponível para justificar orçamento perante a diretoria. Este artigo explica o que muda, quem deve se atualizar primeiro e como transformar os dois anúncios em ação prática nas próximas semanas.

O que é o AI Max e o que mudou em setembro de 2026

O AI Max é a camada de inteligência artificial do Google Ads que expande automaticamente títulos, textos e segmentação de campanhas de pesquisa, combinando sinais de intenção de busca com os ativos fornecidos pelo anunciante. Até a atualização de setembro, o principal ponto de atrito relatado por gestores de tráfego era a falta de controle fino sobre o que a IA gerava — o anunciante enviava ativos e esperava para ver o resultado, sem conseguir orientar o tom ou o contexto de negócio de forma estruturada.

O AI Brief resolve parte desse problema: é uma camada de instruções em texto livre, hoje em beta fechado, que permite detalhar contexto de negócio, público-alvo e mensagens-chave para orientar o que o AI Max produz. Com a expansão anunciada em 23/09, o recurso passa a incluir holandês, francês, alemão, italiano, japonês, português e espanhol — abrindo caminho para que contas brasileiras entrem na fila de testes à medida que o beta se expandir localmente.

A segunda mudança tem impacto mais imediato: o novo relatório unificado mostra, em uma visão só, qual termo de pesquisa disparou o anúncio, qual ativo criativo o usuário viu e para qual página ele foi direcionado. Hoje, quando um anúncio com expansão de IA gera uma conversão (ou não gera), o gestor de tráfego frequentemente precisa cruzar relatórios de termos de pesquisa, relatórios de ativos e relatórios de página de destino manualmente para entender o que aconteceu. O Google promete detalhes adicionais e disponibilidade ainda este ano, sem data exata de liberação geral.

Business Agent for YouTube Ads: atendimento dentro do vídeo

O segundo anúncio, divulgado em 24/09 como parte do Demand Gen Drop de setembro, introduz o Business Agent for YouTube Ads: um agente conversacional de IA que aparece ao lado de anúncios em vídeo com feed de produtos, permitindo que o espectador pergunte sobre preço, especificações ou disponibilidade sem sair do contexto de visualização. O cadastro está disponível via formulário oficial do Google, o que indica fase de rollout controlado — não é um recurso ligado automaticamente em todas as contas.

Junto com o Business Agent, o Google anunciou experiências de um clique para anúncios de imagem no YouTube Shorts e no Gmail, e as Affiliate Location Extensions, que exibem pins promovidos no Google Maps para redes de varejo e concessionárias. O próprio Google cita dado interno (fevereiro de 2026) de que anunciantes que adicionam Gmail às campanhas Demand Gen registram, em média, aumento de 40% nas conversões dos criativos de imagem, mantendo o mesmo ROAS — número que deve ser tratado como referência direcional, não como garantia para qualquer conta.

Por que isso importa para PMEs brasileiras

Empresas de serviços, clínicas, escritórios de advocacia, imobiliárias e negócios locais que operam Google Ads com equipe enxuta costumam enfrentar o mesmo problema: baixa visibilidade sobre por que uma campanha com expansão automática de IA performa bem em um período e cai no seguinte. O novo relatório do AI Max ataca exatamente esse ponto — ele reduz a dependência de cruzar múltiplas telas para entender a jornada do clique até a conversão, o que é decisivo para uma PME que não tem analista de dados dedicado.

Já o Business Agent for YouTube Ads tem relevância mais restrita no curto prazo: exige campanha de vídeo com feed de produtos ativo, cenário mais comum em e-commerce e varejo do que em serviços B2B locais. Para esse perfil de negócio, vale entrar na lista de espera e observar os primeiros relatos de desempenho antes de redesenhar a estratégia de mídia em torno do recurso.

O ponto comum às duas novidades é o mesmo alerta que já vem do AI Max desde seu lançamento: quanto mais a IA decide automaticamente segmentação, criativo e lance, mais a empresa depende de orientar bem essa IA — com briefing de negócio claro, página de destino coerente com a promessa do anúncio e acompanhamento de relatório para identificar rapidamente quando a automação está gerando lead de baixa qualidade.

Como se preparar: checklist para as próximas semanas

  • Audite os ativos atuais de campanhas com AI Max. Títulos genéricos e sem contexto de negócio tendem a gerar combinações fracas quando a IA expande automaticamente; ativos específicos (preço, diferencial, região atendida) melhoram a qualidade da geração.
  • Entre na lista de espera do AI Brief assim que o beta em português estiver disponível na conta, priorizando contas com investimento relevante em campanhas de pesquisa.
  • Prepare-se para o relatório unificado mapeando hoje, manualmente, quais termos de pesquisa e páginas de destino mais geram conversão — isso cria uma base de comparação para validar se o novo relatório reflete o que a equipe já observa.
  • Avalie o Business Agent apenas se houver campanha de vídeo com feed de produtos ativo; fora desse cenário, o retorno imediato é baixo.
  • Revise a página de destino antes de aumentar orçamento em campanhas com expansão de IA. Um anúncio bem otimizado por IA perde eficácia se a página de destino não confirma a oferta anunciada.

O que ainda não está confirmado

O Google não divulgou data de disponibilidade geral do novo relatório do AI Max, nem confirmou quando o AI Brief em português sairá do beta fechado para acesso amplo. O Business Agent for YouTube Ads também segue em cadastro por formulário, sem cronograma público de expansão para contas brasileiras. Empresas que dependem desses canais devem tratar os anúncios como direção de produto confirmada pelo Google, não como recursos já disponíveis em qualquer conta — e evitar prometer internamente resultados baseados em recursos que ainda não têm data de liberação geral.

Conclusão

As atualizações de 23 e 24 de setembro de 2026 confirmam uma tendência: o Google Ads está movendo a IA generativa da geração de anúncio para a explicação de desempenho e para o atendimento dentro do próprio anúncio. Para PMEs brasileiras, o efeito prático de curto prazo está mais no relatório unificado do AI Max — que promete reduzir o tempo gasto cruzando relatórios manualmente — do que no Business Agent, cujo uso depende de um formato de campanha específico. O caminho responsável é auditar os ativos existentes, garantir coerência entre anúncio e página de destino, e entrar nas listas de espera dos recursos relevantes para o próprio modelo de negócio, sem prometer resultado antes de testar a funcionalidade na própria conta.

Se sua empresa quer entender se a conta de Google Ads está pronta para aproveitar essas mudanças de IA sem desperdiçar orçamento, o checklist de auditoria de conta em 30 minutos é o ponto de partida. Empresas que ainda estão definindo o modelo de contratação de gestão de tráfego podem comparar escopo e preço no guia sobre como comparar propostas de agência de tráfego pago. Quem já usa GA4 para leads deve revisar a mensuração com o guia de eventos e conversões que realmente importam, e o rastreamento de tags pode ser revisado no guia de implementação do Google Tag Manager para pequenas empresas. Antes de decidir onde investir o próximo aumento de orçamento em IA e mídia paga, vale medir o ponto de partida real da operação com o Raio-X gratuito da AgenciAR.

Fonte oficial: Google Ads (blog.google). Acesso em 25/09/2026.