O Google Ads anunciou em 8 de julho de 2026 que a beta de Search campaigns for Travel está sendo expandida para os segmentos de Things to Do e Events. Na prática, a novidade mira anunciantes que vendem atrações, passeios, experiências, visitas guiadas e ingressos para eventos.

Para a maioria das PMEs brasileiras, isso não muda a rotina de mídia paga hoje pela manhã. Mas para negócios ligados a turismo, lazer, cultura, entretenimento, parques, receptivo, guias, produtoras de eventos e venda de ingressos, a mudança merece atenção.

O ponto central é simples: o Google está levando mais automação, feed de produtos e recursos de Search/AI Max para uma área em que a compra depende muito de data, local, disponibilidade, preço e intenção imediata. É exatamente o tipo de cenário em que uma campanha mal configurada pode desperdiçar verba, mas uma campanha bem estruturada pode capturar demanda no momento em que a pessoa está pronta para reservar ou comprar.

Esta é uma pauta de meio de funil: ajuda o gestor que já anuncia, ou pretende anunciar, a entender se a novidade deve entrar no planejamento de testes, orçamento e integração de dados.

O que o Google anunciou

O perfil oficial do Google Ads informou que Search campaigns for Travel está sendo expandido para uma beta aberta nos verticais de Things to Do e Events. Segundo a publicação, a ideia é dar acesso a recursos de Search e AI Max e centralizar formatos baseados em feed e anúncios de texto em um só lugar.

A documentação de suporte do Google ajuda a entender o que isso significa para Things to Do. Para participar de campanhas de viagem nesse segmento, o anunciante precisa fornecer informações de produto por meio de um feed do Things to Do Center, hoje ligado ao Actions Center. Esse feed é a base para exibir atividades no Google.

Depois da configuração do feed, a empresa pode conectar esses dados a uma conta do Google Ads para gerenciar orçamento, campanhas, grupos de anúncios, lances e relatórios. A documentação também informa que, em Travel campaigns for Things to do, a estratégia de lance disponível atualmente é Maximize Conversion Value, com meta de ROAS obrigatória.

Em outra página de ajuda, o Google explica que o relatório de Search Campaigns for Travel unifica dados antes fragmentados em uma visão de performance, incluindo relatórios de termos de pesquisa. A documentação também destaca que esse tipo de campanha combina AI Max com o feed do anunciante.

Por que isso importa para turismo, eventos e experiências

Negócios de passeio e evento vendem um produto com características diferentes de uma loja comum. A pessoa não compra apenas "um ingresso". Ela compra uma data, um horário, uma cidade, uma experiência e uma promessa de conveniência.

Isso vale para uma agência de passeios em Gramado, um receptivo em Porto de Galinhas, uma escola que vende workshops presenciais, um parque, uma casa de shows, uma produtora local, um tour gastronômico, um passeio de barco ou uma atração turística regional.

Nesses casos, a intenção de busca costuma ser muito próxima da compra:

  • "passeio de buggy em natal";
  • "ingresso parque aquático julho";
  • "o que fazer em foz do iguaçu";
  • "show sertanejo sábado são paulo";
  • "tour gastronômico rio de janeiro";
  • "ingresso museu imersivo".

Quando o Google cria uma campanha mais especializada para esse tipo de inventário, ele sinaliza que quer conectar melhor busca, feed, disponibilidade, texto do anúncio e automação. Para a PME, isso pode ser uma oportunidade. Mas só se a base estiver organizada.

O que muda na prática

A principal mudança é a possibilidade de testar um modelo mais integrado para campanhas de busca ligadas a inventário de viagem, atividades e eventos. Em vez de depender apenas de campanhas tradicionais de Search ou de Performance Max, alguns anunciantes elegíveis poderão usar uma estrutura voltada para o contexto de viagem.

Isso não significa que todo negócio verá a beta disponível imediatamente. Também não significa que campanhas atuais devem ser pausadas sem comparação. O próprio contexto da novidade ainda tem pontos em aberto, como critérios de elegibilidade, cobertura geográfica e detalhes completos para Events.

O que já dá para afirmar com segurança é que o Google está aproximando três camadas:

  • o feed, que informa quais atividades, atrações ou ingressos existem;
  • o Search, que captura a intenção expressa na busca;
  • o AI Max, que amplia automação, correspondência de intenção e análise de performance.

Para PMEs, essa combinação só funciona bem quando o cadastro do produto está correto, a página de destino está pronta para converter, o preço está atualizado e a mensuração registra reservas, compras ou leads com clareza.

O risco de ativar automação sem arrumar a casa

A leitura da AgenciAR é que a novidade não deve ser tratada como "mais uma campanha para ligar". Ela deve ser tratada como um teste de mídia com dependência forte de dados.

Se o feed está incompleto, se o preço muda e não é atualizado, se a página não deixa claro o que está incluso, se a disponibilidade real não bate com o anúncio ou se a conversão não está bem configurada, a automação pode acelerar o problema.

Em negócios de turismo e eventos, esse risco é ainda maior porque a frustração aparece rápido. O cliente clica, vê uma data indisponível, não entende o ponto de encontro, não sabe se criança paga, não encontra política de cancelamento ou cai em um WhatsApp sem resposta. O custo do clique vira custo de atrito.

Antes de pedir para a agência ativar qualquer beta, a PME deveria revisar cinco pontos:

  • se o inventário está organizado por atividade, cidade, data, horário e preço;
  • se a página de destino responde dúvidas comerciais antes do pagamento ou contato;
  • se a conversão principal está configurada como compra, reserva ou lead qualificado;
  • se há margem suficiente para trabalhar com meta de ROAS;
  • se existe rotina para comparar a beta com Search e Performance Max atuais.

Como testar sem bagunçar o orçamento

O melhor caminho é começar pequeno. Se a beta aparecer na conta, a empresa pode separar uma parte limitada do orçamento para testar o novo formato contra campanhas existentes.

Esse teste precisa ter uma pergunta clara. Por exemplo: a nova campanha reduz custo por reserva? Traz mais receita por clique? Aumenta vendas em datas com baixa ocupação? Melhora a descoberta de experiências específicas? Gera leads mais qualificados para WhatsApp?

Sem essa pergunta, a PME corre o risco de olhar apenas para cliques e impressões. Em turismo e eventos, o que importa é ocupação, venda, margem, antecedência da reserva, taxa de comparecimento e qualidade do atendimento depois do clique.

Também é importante respeitar tempo de aprendizado. A documentação do Google sobre relatórios de AI Max recomenda aguardar pelo menos duas semanas após ativar AI Max antes de fazer mudanças como adicionar palavras-chave negativas. Isso não impede acompanhamento, mas evita mexer na campanha antes de ela ter dados suficientes.

Para quem a novidade faz mais sentido

A pauta é relevante principalmente para empresas que já têm oferta comercial bem definida e algum volume de busca ou venda online. Não é o primeiro passo para quem ainda não sabe qual produto anunciar.

Faz sentido acompanhar a beta se a empresa vende:

  • passeios turísticos;
  • ingressos para atrações;
  • experiências locais;
  • eventos com venda antecipada;
  • atividades com data e disponibilidade;
  • tours guiados;
  • reservas de lazer ou entretenimento.

Já para PMEs sem inventário estruturado, sem página de venda, sem tracking ou sem rotina de atualização de disponibilidade, a prioridade continua sendo arrumar a base. A campanha nova pode esperar; a experiência do cliente não.

O que perguntar à agência ou ao gestor de tráfego

O dono da empresa não precisa dominar cada tela do Google Ads, mas precisa fazer perguntas melhores. Esta atualização é um bom motivo para revisar a operação.

As perguntas mais úteis são:

  • nossa conta tem acesso à beta de Search campaigns for Travel para Things to Do ou Events?
  • usamos algum feed ou parceiro de conectividade compatível com Google?
  • nossas conversões medem compra, reserva ou apenas clique em botão?
  • temos meta de ROAS baseada em margem real ou apenas em faturamento?
  • quais campanhas atuais serão usadas como comparação?
  • qual orçamento máximo vamos colocar no teste?
  • em quanto tempo vamos decidir manter, ajustar ou pausar?

Essas perguntas tiram a conversa do "o Google lançou uma novidade" e levam para o que importa: a empresa tem estrutura para transformar a novidade em venda?

A leitura da AgenciAR

O movimento do Google reforça uma direção clara da mídia paga: campanhas cada vez mais conectadas a dados do negócio, não apenas a palavras-chave.

Para PMEs brasileiras de turismo e eventos, isso é oportunidade e cobrança ao mesmo tempo. Oportunidade porque negócios menores podem capturar buscas de alta intenção quando têm oferta clara, boa página e dados organizados. Cobrança porque a automação não compensa cadastro ruim, disponibilidade confusa, site lento, atendimento lento ou meta de lucro inexistente.

O conselho prático é não ignorar a beta, mas também não tratá-la como salvação. Vale acompanhar, pedir acesso quando fizer sentido e testar com orçamento controlado. A vantagem competitiva não estará em ser o primeiro a clicar no botão; estará em ter produto, feed, página, conversão e atendimento prontos para aproveitar a demanda.

Referências consultadas

Em resumo: o ângulo da AgenciAR

O Google Ads abriu uma nova frente de automação para empresas que vendem experiências, passeios, atrações e eventos. Para PMEs brasileiras desses setores, o valor não está em trocar campanhas atuais às pressas, mas em preparar dados, feed, página de destino, conversão e orçamento de teste para avaliar se a beta realmente melhora reservas e vendas.

FAQ

A nova beta do Google Ads já está disponível para todas as empresas?

Não necessariamente. O Google comunicou uma beta aberta para Things to Do e Events, mas a disponibilidade pode variar por conta, país, elegibilidade e configuração. O ideal é verificar dentro da conta do Google Ads ou com a agência responsável.

Uma PME de turismo deve pausar Search ou Performance Max para testar?

Não. O caminho mais seguro é testar com orçamento limitado e comparar contra campanhas atuais. Pausar campanhas que já vendem sem um período de comparação pode prejudicar receita.

Preciso ter feed para usar campanhas de Travel para Things to do?

Segundo a documentação do Google, o feed do Things to Do Center é a principal forma de fornecer as informações das atividades que serão exibidas. Sem inventário organizado, a empresa provavelmente terá dificuldade para aproveitar o formato.

Essa novidade serve para qualquer evento?

A atualização cita o vertical de Events, mas ainda há detalhes em aberto sobre elegibilidade, recursos e disponibilidade. Empresas de eventos devem acompanhar a liberação na conta e validar requisitos antes de planejar orçamento.