O que mudou no Google Ads
O Google anunciou uma atualização de segurança para contas do Google Ads: ações consideradas sensíveis passarão a exigir aprovação de mais de um administrador em alguns cenários.
Segundo o Google Ads Developer Blog, a mudança começa a ser implementada em 27 de julho de 2026 e será ativada gradualmente para todos os usuários nas semanas seguintes. A novidade aparece no contexto da API do Google Ads, mas faz parte de uma mudança mais ampla de segurança nas contas da plataforma.
Na prática, quando alguém tentar executar determinadas ações sensíveis, o Google poderá pausar o processo e abrir uma solicitação de aprovação para outro administrador da conta.
Entre as ações citadas pelo Google estão:
- convidar um novo usuário para gerenciar a conta;
- alterar permissões de um usuário existente;
- remover acesso de um usuário;
- concluir mudanças administrativas que o Google classifique como sensíveis.
O ponto importante para o dono de PME: isso não é só uma notícia técnica para desenvolvedores. É uma mudança que pode afetar o dia a dia de quem depende de terceiros para operar anúncios, trocar acessos, conectar ferramentas, revisar permissões ou resolver uma emergência em uma conta de mídia paga.
Por que isso importa para PMEs
Google Ads costuma ser uma das principais fontes de leads para clínicas, prestadores de serviço, e-commerces locais e empresas B2B pequenas. Mesmo quando o dono do negócio não mexe diretamente na plataforma, a conta concentra orçamento, dados de conversão, histórico de campanha, públicos e integrações importantes.
Por isso, acesso administrativo mal controlado é um risco real. Um usuário indevido pode alterar campanhas, mexer em faturamento, trocar permissões, comprometer dados ou simplesmente dificultar a recuperação da conta.
A aprovação em múltiplas partes tenta reduzir esse risco. O raciocínio é simples: se uma ação sensível exigir validação de outro administrador, fica mais difícil que uma única credencial comprometida cause dano sozinha.
Mas existe o outro lado. Em empresas pequenas, é comum que só uma pessoa tenha clareza sobre quem administra o Google Ads. Também é comum que acessos fiquem espalhados entre ex-funcionários, agências antigas, freelancers, emails pessoais e contas de parceiros. Quando uma mudança de segurança entra em vigor, essa bagunça pode virar gargalo.
O que era apenas “organização de conta” passa a ser continuidade operacional.
Como a aprovação vai funcionar
A central de ajuda do Google explica que a aprovação em múltiplas partes é uma camada de segurança que pede a verificação de um segundo administrador para mudanças sensíveis.
Quando uma solicitação é criada, administradores elegíveis recebem notificações dentro do produto para revisar a mudança. Um detalhe relevante: segundo o Google, esses pedidos não são enviados por email. Ou seja, os administradores precisam acompanhar as notificações dentro da conta.
Os pedidos expiram em 20 dias se ninguém aprovar ou rejeitar. Se expirarem, a ação é bloqueada e precisa ser iniciada novamente.
O Google também informa que o suporte não pode aprovar nem negar solicitações no lugar dos administradores. Para PMEs, isso significa que não adianta descobrir no meio de uma urgência que o segundo administrador é alguém que não responde mais, saiu da empresa ou usa um email antigo.
A regra também tem recortes importantes:
- usuários somente leitura e usuários de API são isentos desse processo;
- a aprovação em múltiplas partes se aplica a contas com mais de três administradores;
- se a conta deixar de ter múltiplos administradores e ficar com um único admin, o processo é pausado e solicitações pendentes são canceladas;
- ao adicionar novos administradores depois disso, a conta pode ser reinscrita automaticamente.
Para quem a mudança é mais sensível
A atualização tende a impactar mais empresas que trabalham com vários envolvidos na gestão de mídia paga.
Isso inclui PMEs que têm:
- agência de tráfego pago com acesso administrativo;
- freelancer cuidando de campanhas;
- equipe interna e agência atuando ao mesmo tempo;
- ferramentas conectadas ao Google Ads por API;
- contas MCC/contas de administrador vinculadas;
- histórico de troca de fornecedores de marketing;
- ex-funcionários ou emails antigos ainda com permissão elevada.
Para uma empresa bem organizada, a mudança pode ser quase invisível. Para uma conta desorganizada, pode aparecer como atraso na liberação de acesso, dificuldade para trocar permissões ou bloqueio temporário de alterações administrativas.
O impacto prático no marketing
A leitura da AgenciAR é que essa atualização reforça uma tendência maior: plataformas de mídia paga estão tratando governança de acesso como parte da performance.
Isso pode parecer exagero até o dia em que uma campanha precisa ser ajustada antes de uma promoção, um formulário para de medir leads, uma agência precisa entrar na conta ou um acesso suspeito precisa ser removido. Nesses momentos, permissão vira operação. Operação vira prazo. Prazo vira dinheiro.
Para o dono de PME, o impacto não está em decorar o nome técnico da API. Está em responder quatro perguntas:
- Quem hoje tem acesso administrativo ao meu Google Ads?
- Esses acessos ainda fazem sentido?
- Existe pelo menos mais de um administrador confiável e ativo?
- Se uma aprovação aparecer dentro da conta, alguém saberá onde revisar?
Se a resposta for incerta, a empresa não tem só um problema de segurança. Tem um problema de continuidade de marketing.
O que fazer agora
A recomendação prática é revisar a conta antes de 27 de julho de 2026, especialmente se o Google Ads é uma fonte relevante de leads.
O primeiro passo é abrir a área de acesso e segurança do Google Ads e conferir todos os usuários com permissão administrativa. Remova acessos antigos, reduza permissões excessivas e evite que emails pessoais ou contas abandonadas permaneçam como administradores.
O segundo passo é definir quem pode aprovar mudanças sensíveis. Em uma PME, o ideal é que exista pelo menos um responsável interno e um parceiro confiável, com papéis claros. O dono do negócio não precisa operar campanhas todos os dias, mas precisa saber quem tem poder de mexer na conta.
O terceiro passo é alinhar o processo com a agência ou profissional de tráfego. Se for necessário convidar um usuário, mudar uma permissão ou remover alguém, combine quem inicia a ação e quem aprova. Isso evita atraso em momentos críticos.
O quarto passo é revisar automações e ferramentas conectadas. Se a empresa usa sistemas de relatórios, CRM, importação de conversões, scripts ou integrações com Google Ads, vale checar se algum fluxo depende de criação ou alteração de acessos via API.
O quinto passo é transformar isso em rotina. Uma revisão trimestral de acessos pode evitar boa parte dos problemas mais caros: conta comprometida, parceiro antigo com permissão alta, campanha alterada sem rastreabilidade ou atraso em mudanças urgentes.
Leitura própria da AgenciAR
Essa atualização do Google Ads mostra uma mudança importante para PMEs: a conta de anúncios deixou de ser apenas “a plataforma onde roda campanha”. Ela virou um ativo operacional do negócio.
Dentro dela estão verba, histórico de aprendizado, dados de conversão, integrações com site e CRM, públicos, eventos e decisões que afetam diretamente o custo por lead. Quando o acesso a esse ativo é tratado de forma improvisada, a empresa fica vulnerável tanto a riscos de segurança quanto a gargalos comerciais.
A aprovação em múltiplas partes é positiva porque reduz o poder de uma única credencial comprometida. Mas ela também expõe negócios que cresceram no improviso: todo mundo tem acesso, ninguém sabe quem aprova, e a conta só é revisada quando algo quebra.
Para a PME brasileira, a melhor resposta não é pânico nem burocracia. É governança simples: poucos administradores, permissões coerentes, agência vinculada corretamente, donos com acesso preservado e rotina clara para aprovar mudanças.
No marketing digital, segurança também é performance. Uma conta segura, rastreável e bem administrada protege o orçamento e evita que a geração de leads pare por um detalhe operacional.
Conclusão
A nova aprovação em múltiplas partes do Google Ads é uma atualização de segurança, mas seu efeito real pode aparecer na operação diária de quem anuncia.
Para PMEs, o recado é direto: antes de pensar em aumentar verba, trocar estratégia ou testar mais campanhas, confira se a base da conta está organizada. Quem tem acesso, quem aprova mudanças e quem responde por cada permissão precisa estar claro.
Se o Google Ads gera leads para o negócio, a conta não pode depender de improviso.
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